Fim da guerra... A Câmara americana desafia Trump - Resenha crítica - 12min Originals
×

Novo ano, Novo você, Novos objetivos. 🥂🍾 Comece 2024 com 70% de desconto no 12min Premium!

QUERO APROVEITAR 🤙
63% OFF

Operação Resgate de Metas: 63% OFF no 12Min Premium!

Novo ano, Novo você, Novos objetivos. 🥂🍾 Comece 2024 com 70% de desconto no 12min Premium!

186 leituras ·  4 avaliação média ·  107 avaliações

Fim da guerra... A Câmara americana desafia Trump - resenha crítica

Sociedade & Política e translation missing: br.categories_name.radar-12min

Este microbook é uma resenha crítica da obra: 

Disponível para: Leitura online, leitura nos nossos aplicativos móveis para iPhone/Android e envio em PDF/EPUB/MOBI para o Amazon Kindle.

ISBN: 

Editora: 12min

Resenha crítica

Fim da guerra? A Câmara americana desafia Trump

Na quarta-feira, três de junho, a Câmara dos Representantes dos Estados Unidos fez algo que não acontecia desde o início do conflito: aprovou, por 215 votos a 208, uma resolução que ordena o fim das hostilidades contra o Irã e tenta retirar de Donald Trump o poder de decidir sozinho sobre a guerra. Quatro republicanos cruzaram a linha partidária e votaram com os democratas. O texto é, na prática, simbólico, não vai à mesa do presidente e não tem força de lei. Mas é o recado mais alto que o Congresso deu até agora, e chega num momento em que o petróleo, a inflação e a trajetória dos juros do mundo inteiro estão reféns dessa mesma guerra. Para quem investe, a pergunta não é quem ganha a queda de braço entre o Capitólio e a Casa Branca. É o que o barril na casa dos noventa dólares faz com a sua carteira nos próximos sessenta dias.

Para dimensionar o voto, é preciso voltar ao começo. A guerra teve início em 28 de fevereiro de 2026, quando Estados Unidos e Israel lançaram a operação batizada de Epic Fury, uma série de ataques aéreos contra o Irã que matou o líder supremo do país e boa parte da cúpula militar e de governo. O Irã respondeu com mísseis e drones contra Israel, contra bases americanas e contra aliados dos Estados Unidos no Oriente Médio. E executou o movimento que o mercado mais temia: fechou o Estreito de Ormuz em 4 de março.

É nesse ponto que a geopolítica vira economia, e vale a pausa. Pelo Estreito de Ormuz passa cerca de um quinto de todo o petróleo do planeta. Com o estreito fechado, o Brent saltou dos setenta dólares por barril, preço de antes da guerra, para mais de cento e vinte. A QatarEnergy declarou força maior em todas as exportações. A Agência Internacional de Energia classificou o episódio como a maior interrupção de oferta da história do mercado global de petróleo, sem exagero retórico. Bolsas caíram no mundo inteiro, houve uma onda de venda no mercado de títulos, e a palavra que havia sumido dos relatórios em 2025 voltou a aparecer em quase todos eles: estagflação. O paralelo que os analistas passaram a usar é a crise do petróleo dos anos 1970, com escassez aguda de oferta, volatilidade cambial e risco simultâneo de inflação alta e recessão.

A primeira trégua veio em 7 de abril, depois de Trump ameaçar publicamente destruir pontes e usinas iranianas e afirmar que "uma civilização inteira pode morrer esta noite". O acordo, costurado com mediação do Paquistão, do vice-presidente JD Vance e do enviado especial Steve Witkoff, previa um cessar-fogo de duas semanas em troca da reabertura do Estreito de Ormuz. O petróleo desabou na hora, abaixo de cem dólares. Em 21 de abril, Trump estendeu o cessar-fogo enquanto as negociações seguiam em aberto.

É aí que entra o pedaço mais delicado da história, e o que de fato move o mercado hoje. No fim de maio, negociadores dos dois países chegaram a um memorando de entendimento de sessenta dias. O texto prevê estender o cessar-fogo, reabrir o Estreito de Ormuz de forma irrestrita, sem pedágios e sem perturbação à navegação, com o Irã obrigado a remover todas as minas marítimas em trinta dias, além de abrir negociações sobre o programa nuclear iraniano. O problema é que o memorando ainda depende da assinatura final de Trump, que encerrou uma reunião na Sala de Situação da Casa Branca sem dar a palavra definitiva. Os dois lados deixaram margem de manobra. E, mesmo durante as conversas, os ataques não cessaram por completo: o Irã chegou a disparar mísseis balísticos contra o Kuwait e a enviar drones na direção do estreito.

Por isso o voto da Câmara carrega tanto significado, ainda que sem força jurídica. A resolução, apresentada pelo democrata Gregory Meeks, é do tipo concurrent, ou seja, não segue para a mesa do presidente e não pode ser vetada, mas também não cria obrigação legal. A versão que teria força de lei, originada no Senado, já havia sido derrubada por 53 a 47, quase toda na linha partidária, com o senador Rand Paul como único republicano a favor. Vale notar quem foram os quatro republicanos que viraram a mesa na Câmara: Thomas Massie, Brian Fitzpatrick, Tom Barrett e Warren Davidson. O presidente da Casa, Mike Johnson, havia alertado que a resolução enfraqueceria a mão dos Estados Unidos nas negociações, mas parte da bancada já respondia à pressão dos eleitores diante do custo de vida. A Casa Branca usa exatamente esse argumento para desqualificar o gesto: sustenta que a guerra já terminou com o cessar-fogo de abril, que não há "hostilidades presentes das quais retirar as Forças Armadas americanas", e classifica a resolução de Meeks como um veto legislativo inconstitucional sobre o poder do Executivo. Trump foi mais direto e chamou a votação de "sem sentido" numa publicação na Truth Social, atacando nominalmente os quatro republicanos que votaram contra ele.

Para o investidor, o relevante não é a disputa institucional em si. É o que ela revela. O voto mostra que parte do próprio Partido Republicano já sente a pressão dos eleitores com a conta da guerra, sobretudo o custo da energia, às vésperas das eleições de meio de mandato. Existe agora um vetor político interno empurrando pelo fim do conflito, somado ao vetor econômico que vinha empurrando havia semanas. O Brent recuou cerca de vinte por cento das máximas do ano e voltou para a casa dos noventa dólares, no pior mês para a commodity desde a pandemia. As bolsas americanas reagiram com otimismo, com o Dow Jones perto dos cinquenta mil e novecentos pontos e o S&P 500 acima dos sete mil e quinhentos. O dado que merece atenção é a assimetria: mesmo após a queda recente, o Brent ainda opera bem acima dos setenta dólares de antes da guerra, sinal de que o mercado embolsou o alívio da trégua sem abrir mão do prêmio de risco. Em termos práticos, o preço de hoje carrega tanto a aposta na paz quanto o seguro contra a sua falha.

Há, porém, uma armadilha que os relatórios mais sóbrios não deixam passar. Banco Mundial, FMI e Agência Internacional de Energia divulgaram nota conjunta alertando que, se o transporte de petróleo não voltar ao normal, os riscos para a segurança de combustível e para a resiliência da economia global aumentam justamente quando a demanda sobe no verão do hemisfério norte. A União Europeia avisou que os preços de óleo e gás não retornam ao patamar pré-guerra tão cedo, mesmo com a paz assinada. E há a frase que resume o paradoxo, dita por Amos Hochstein, ex-assessor de energia da Casa Branca: Wall Street quer que a guerra acabe, mas é justamente esse desejo que mantém o conflito vivo, porque o mercado já precificou a paz antes de a paz existir.

Resumindo onde tudo está agora: a guerra começou em fevereiro, teve o pico no fechamento do Estreito de Ormuz e no Brent acima de cento e vinte dólares, entrou num cessar-fogo frágil em abril, ganhou um memorando de sessenta dias no fim de maio que ainda não foi assinado por Trump, e nesta semana recebeu do Congresso o recado mais claro de que parte de Washington quer encerrá-la de vez. Nada disso é o fim definitivo. É um xadrez em que o preço do petróleo é, ao mesmo tempo, a aposta e o placar. O risco permanece sobre a mesa: se os ataques voltarem ou se Trump não assinar o memorando, o barril sobe de novo, e com ele a inflação e a expectativa de juros. Se a paz se firmar, o alívio energético tende a se consolidar, ainda que sem retorno aos setenta dólares de antes. Para quem tem capital alocado, é menos uma notícia de guerra e mais um aviso de que o portfólio está, neste momento, dependurado num estreito de cinquenta quilômetros de largura no Golfo Pérsico.

Leia e ouça grátis!

Ao se cadastrar, você ganhará um passe livre de 7 dias grátis para aproveitar tudo que o 12min tem a oferecer.

Quem escreveu o livro?

Agora o 12min também produz conteúdos próprios. 12min Originals é a ferram... (Leia mais)

Aprenda mais com o 12min

6 Milhões

De usuários já transformaram sua forma de se desenvolver

4,8 Estrelas

Média de avaliações na AppStore e no Google Play

91%

Dos usuários do 12min melhoraram seu hábito de leitura

Um pequeno investimento para uma oportunidade incrível

Cresca exponencialmente com o acesso a ideias poderosas de mais de 2.500 microbooks de não ficção.

Hoje

Comece a aproveitar toda a biblioteca que o 12min tem a oferecer.

Dia 5

Não se preocupe, enviaremos um lembrete avisando que sua trial está finalizando.

Dia 7

O período de testes acaba aqui.

Aproveite o acesso ilimitado por 7 dias. Use nosso app e continue investindo em você mesmo por menos de R$14,92 por mês, ou apenas cancele antes do fim dos 7 dias e você não será cobrado.

Inicie seu teste gratuito

Mais de 70.000 avaliações 5 estrelas

Inicie seu teste gratuito

O que a mídia diz sobre nós?